quinta-feira, 22 de março de 2018

Juscelino Filho é confirmado no comando do DEM; decisão da cúpula inviabiliza projeto de José Reinaldo


A Executiva nacional do Democratas (DEM) bateu martelo, ontem, e confirmou que o braço do partido no Maranhão continuará sob o comando do deputado federal Juscelino Filho, concordando também que o partido permaneça na aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB), e a decisão também funcionou como o tiro de misericórdia na pretensão do ex-governador e deputado federal José Reinado Tavares (sem partido) de vir a assumir o controle da agremiação e por ela se candidatar a senador.

Com a batida de martelo, a direção partidária consolida o processo de ressureição do partido no Maranhão e fortalece a liderança do presidente Juscelino Filho, um parlamentar de primeiro mandato que vem surpreendendo o meio político com lances ousados e certeiros, entre eles o de tirar o DEM da gaveta e recolocá-lo na mesa das grandes decisões políticas.

Ao mesmo tempo, a direção partidária fechou as portas do partido para o ex-governador José Reinaldo Tavares, eliminando qualquer possibilidade de ele ganhar a vaga de candidato do partido ao Senado.

A palavra final do comando do DEM sobre a situação do partido no Maranhão é o desfecho de dois movimentos:

- Um foi feito pelo deputado federal Juscelino Filho, em parceria com seu tio, o tarimbado deputado estadual Stênio Rezende, que resgataram um partido que se encontrava praticamente esquecido na gaveta do seu ex-presidente, ???? Guterres, um técnico com pretensões políticas e estreitamente ligado ao ex-deputado federal Clóvis Fecury, que detinha, de fato, o controle sobre a legenda.

- O outro movimento partiu do deputado federal José Reinaldo, que desgastado no PSB e em rota de colisão com o governador Flávio Dino, cometeu uma sucessão de equívocos, tentando por último assumir o controle do DEM para garantir sua candidatura ao Senado. Fez um jogo equivocado e perdeu, tendo agora duas semanas para decidir o seu futuro partidário.

Em busca de um partido forte – e provavelmente orientado por seu tio e seu pai, o ex-deputado estadual Juscelino Rezende, ambos políticos forjados numa guerra de décadas travada com o bandeira pelo controle de Vitorino Freire -, Juscelino Filho garimpou o até então esquecido DEM, enfraquecido e sem maiores perspectivas. Ciente do poder de fogo da agremiação – expressivo tempo de rádio e TV, influência no Governo Michel Temer e Fundo Partidário gordo – o jovem parlamentar atropelou vários pretendentes, que acordaram tardiamente, e ganhou o comando do partido no Maranhão.

Certo de que corria o risco de perder o controle da legenda para o ex-governador José Reinaldo, devido ao seu peso político e aos antecedentes como pefelista de proa em outros tempos, turbinou o partido com uma onda de filiações – Juscelino Filho firmou uma aliança com o governador Flávio e turbinou o partido com filiações que o tornaram uma agremiação forte no cenário estadual: os deputados Rogério Cafeteira, Cabo Campos, Stênio Rezende e Neto Evangelista, já contando com o deputado o prefeito Luis Fernando Silva (São José de Ribamar), e o secretário Felipe Camarão (Educação). O partido conta também com o experiente deputado Antônio Pereira. Sem esse ousado movimento político protagonizado pelo jovem deputado Juscelino Rezende, o DEM provavelmente ainda estaria esquecido numa gaveta.

A compensação pelo movimento ousado de Juscelino Filho e pela queda-de-braço com influente ex-governador José Reinaldo veio ontem, quando a Executiva nacional bateu martelo e o confirmou como chefe indiscutível do partido no Maranhão.

O ex-governador José Reinaldo apostou que teria o controle do DEM planejando que o partido poderia ser uma das plataformas para uma eventual candidatura do deputado estadual Eduardo Braide (PMN) ao Governo do Estado. A vantagem é que jogou aberto e limpo, medindo forças sem passar rasteira, perdendo o jogo por conta de lances equivocados, mas com dignidade. Agora, tem duas semanas para virar esse jogo e conseguir uma agremiação que lhe permita candidatar-se a senador ou tentar renovar o mandato de deputado federal. Uma das suas pouquíssimas opções será uma que diz rejeitar: ingressar no PSDB, candidatar-se ao Senado fazendo uma dobradinha com o senador Roberto Rocha.

Só dispõe de duas semanas para resolver.


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