domingo, 20 de janeiro de 2019

Poção de Pedras: uma viagem ao tempo...

  Neste domingo (20/01), Poção de Pedras comemora seu aniversário de 57 anos de emancipação. Numa viagem ao túnel do tempo, o blog separou anexado a um belíssimo poema de Dr. Nelson Jonas algumas fotos do cotidiano na antiga cidade nas décadas de 60 e 70. As fotos são de domínio público, não se tem certeza de quem divulgou, mas acredito que seja proveniente de um baú de arquivos de dona Dica, ex-chefa da junta de serviço militar. E aí, quais ruas consegue identificar?!
Av. Manoel Máximo, no centro comercial de Poção de Pedras antigamente.

“Nascemos no interior, não negamos a ninguém, a terra que a gente vem, merece todo amor e respeito, sorrimos e sentimos dor, quando saiu quero voltar sem ter freio, quem esquece de onde veio, não sabe pra onde vai.

Sou filha adotiva. Meu pai Manoel Salviano e minha mãe Pedreiras pegaram-me pra criar em 1919. Como uma pessoa que se torna independente aos 18 anos, emancipei-me em 1962, ganhei uma posição: me chamaram de cidade. Hoje já tenho 57 anos, meus primeiros cabelos brancos já apareceram, já vi muitos presidentes, governadores e prefeitos. Alguns me trataram bem, de outros não tenho saudades. Já gerei muita gente boa, pessoas que me deram orgulho e que levaram meu nome para todo o País, mas teve pessoas de quem tive vergonha, mas até aqueles que me renegam serão tratados bem. E não importa a classe social, cor ou hierarquia, todos serão enterrados em meu chão sem distinção.

Continua...
Nascemos no interior, não negamos a ninguém, a terra que a gente vem, merece todo amor e respeito, sorrimos e sentimos dor, quando saiu quero voltar sem ter freio, quem esquece de onde veio, não sabe pra onde vai.

Já tive rua da Palha e das Cancelas, a rua Nova já ficou velha, a ladeira já foi do Pecado, o Poeirão já foi asfaltado, o beco da Vaquejada virou Alto Brilhante. Ainda hoje tenho tamboretes nas calçadas, cadeiras de macarrão a balançar, uma rede pra deitar, fuxiqueira fuxicando, mentindo e aumentando. Aqui ninguém pergunta “Qual seu nome?”, perguntam “Você é filho de quem?”.

Nascemos no interior, não negamos a ninguém, a terra que a gente vem, merece todo amor e respeito, sorrimos e sentimos dor, quando saiu quero voltar sem ter freio, quem esquece de onde veio, não sabe pra onde vai.

Não estou perto do mar, nem tenho cachoeiras ou farol, mas tenho belos morros e um lindo pôr do sol e se sou filha da Princesa do Mearim, meu chão também é nobre. Quem fala mal de mim é pobre e não merece aqui morar.

Nascemos no interior, não negamos a ninguém, a terra que a gente vem, merece todo amor e respeito, sorrimos e sentimos dor, quando saiu quero voltar sem ter freio, quem esquece de onde veio, não sabe pra onde vai.

Um dia vocês serão: poeira ou folha levada, pelo vento da madrugada, serão um pouco do nada, mas eu continuarei aqui. Poção, cidade linda, berço da minha infância, sofre quem está distante e a saudade nunca finda, contudo me lembro ainda, do calor de Setembro que arde quando o sol bate, cachorro caçando acoa e late, quando chegar minha hora, que a morte me mate, serei enterrado em minha terrinha. Nascemos no interior, não negamos a ninguém, a terra que a gente vem, merece todo amor e respeito, sorrimos e sentimos dor, quando saiu quero voltar sem ter freio, quem esquece de onde veio, não sabe pra onde vai.”








































































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