“Como ele é um deputado polêmico, que defende as pessoas do movimento LGBT e os direitos humanos, nessa nova conjuntura de intolerância, de ameaças, o momento hoje é de pânico, as pessoas que defende os direitos humanos e as pessoas do movimento LGBT são ameaçadas constantemente, principalmente pela internet. Tudo pode acontecer, várias vezes ele foi ameaçado; do nada a pessoa que sofre ameaça, no outro dia tá morto, então Jean Willis está passando por uma situação difícil e a mãe dele está em pânico”, disse Rogério do PT.

Vídeo - Entrevista com Rogério do PT

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) foi reeleito para terceiro mandato e a cerimônia de posse dos deputados está marcada para 1º de fevereiro. A assessoria do parlamentar,porém, informou na quinta-feira (24) que ele não tomará posse para o novo mandato, em decorrência de ameaças que vem sofrendo. Jean Wyllys recebeu 24.295 votos na eleição de outubro. A Secretaria da Câmara informou que o suplente é David Miranda (PSOL-RJ).

Deputado federal Jean Wyllys
Em uma rede social, Jean Wyllys publicou nesta quarta: "Preservar a vida ameaçada é também uma estratégia da luta por dias melhores. Fizemos muito pelo bem comum. E faremos muito mais quando chegar o novo tempo, não importa que façamos por outros meios! Obrigado a todas e todos vocês, de todo coração. Axé!"

Com objetivo de levar o debate para a nossa região, o blog do Carlinhos conversou com Rogério do PT, um conhecido militante do Partido dos Trabalhadores há mais de 20 anos em Pedreiras. Em uma entrevista gravada na tarde desta sexta (25), no escritório do blog, Rogério lamentou a desistência do deputado, que tem um ativismo importante em prol do movimento LGBT e dos direitos humanos. No entanto, Rogério apoiou a decisão do parlamentar por reconhecer a gravidade das ameaças. Assista a entrevista no vídeo acima.

Mais sobre Jean Wyllys

Homossexual assumido, Jean Wyllys tinha como principais bandeiras pautas relacionadas às causas LGBT e para minorias.

De acordo com a Secretaria-Geral da Câmara, o suplente de Jean Wyllys é o vereador carioca David Miranda (PSOL-RJ).

Mais cedo, nesta quinta, Jean Wyllys concedeu entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo" na qual informou que está no exterior e não pretende voltar ao Brasil. Na entrevista, o deputado diz que tem sofrido ameaças de morte.

"O [ex-presidente do Uruguai] Pepe Mujica, quando soube que eu estava ameaçado de morte, falou para mim: 'Rapaz, se cuide. Os mártires não são heróis'. E é isso: eu não quero me sacrificar", disse Jean Wyllys à "Folha".

Ainda ao jornal, Jean Wyllys disse que o PSOL, partido ao qual é filiado, reconhece que ele se tornou um "alvo" e apoiou a decisão dele de não retornar ao Brasil.

Ao G1, a assessoria de Jean Wyllys afirmou que há uma campanha "muito pesada" contra o deputado, que dissemina conteúdo falso sobre ele na internet o associando, por exemplo, à pedofilia, ao casamento de adultos com crianças e à mudança de sexo de crianças.

Assassinato de Marielle

De acordo com a assessoria de Jean Wyllys, o volume de ameaças contra o deputado aumentou após o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), em março do ano passado.
Marielle Franco (PSOL-RJ), vereadora assassinada no Rio de Janeiro em 2018
Ainda segundo a assessoria, desde então, o parlamentar precisava andar de carro blindado e com escolta de seguranças armados.

"Aumentou a situação de violência, de seguidores do atual presidente [Jair Bolsonaro] que fazem todo tipo de xingamento e ameaças nas redes sociais. Isso criou uma situação cada vez mais difícil. Antes do assassinato da Marielle, ele já vinha recebendo ameaças muito pesadas, inclusive direcionadas não só a ele, mas também à família. E-mails falando endereço da mãe, endereço da irmã, da família", informou.

De acordo com a assessoria, Jean Wyllys está no exterior, mas o local não será informado por questão de segurança.

Situação 'muito grave' do país

À TV Globo, o presidente do PSOL, Juliano Medeiros, afirmou que a situação do país é "muito grave".

"A situação do país é realmente muito grave, e a gente tem defendido que a resistência democrática no país é necessária. O Jean era e ainda é uma nesse processo de resistência democrática”, afirmou o presidente do PSOL. "A decisão dele é de caráter pessoal", acrescentou.

Juliano disse lamentar a decisão de Jean Wyllys porque o partido preferia que ele continuasse na bancada. Mas ressaltou que o partido compreende e se solidariza com o deputado.
Rogério do PT