Prefeito Gildásio Angelo
Ontem, dia 19 do 05, entre 22h00 e 23h30 tive uma demorada conversa por telefone com o prefeito Gildásio Angelo da Silva. O conteúdo da conversa segue abaixo:

Blog do Carlinho - Quais as novas, prefeito?

Prefeito Gildásio - Cheguei ontem de São Luís e conseguimos por lá, recursos para melhorar 50 residências de famílias pobres de Poção de Pedras. Essas 50 famílias que moram em casas de barros receberão a importância de 15 mil reais para transformar suas moradias em casa de alvenaria.

B.C. - Boa notícia, prefeito, parabéns. Mas vamos à política sucessória que esta semana as coisas esquentaram em Poção de Pedras. O senhor anunciou o Cristóvão II como vice, e manteve o Lael Bizerra, atual vice – prefeito no grupo. Como foi que o senhor costurou esses acordos?

Prefeito Gildásio - Começo afirmando que esses acordos não envolveram dinheiro. Isso posso garantir. O vereador II já era do grupo. Foi natural a escolha cair sobre ele. Lael, teve um período afastada da gente, mas ele teve a humildade de reconhecer que foi um erro. Esse reconhecimento se deve ao trabalho que realizei na região dele, contemplada com três sistemas de abastecimento de água que ainda não foram inauguradas e a construção de estradas, como as de São Pedro e Canudos. Esses povoados onde o Lael trabalha sua política não tinham estradas, mas agora têm! Outra coisa: no período da eleição de deputados eu fui bem votado naquela região. Foi mais um incentivo para o Lael compreender que o povo dele gosta de mim e ele acabou retornando. Hoje, entre a gente não existe mágoas ou ressentimentos. Dentro das regras da política a gente acomodou nossos aliados com secretarias de governo. Lael, que é enfermeiro formado, por exemplo, assumiu a secretária de Saúde. Uma secretária importante onde ele gosta de trabalhar. Ele está se saindo bem e a minha intenção é deixa-lo trabalhando nela. Ele está muito grato por essa colocação.

- João Vieria – Não votou em mim, mas veio para o grupo. Eu fiz o que ele mais queria: instalei água encanada em povoados de atuação política dele e construí a estrada da Lagoa Velha. Hoje aquela região tem poços jorrando água forte e em abundância. Ainda hoje, às seis horas da manhã, recebi um telefonema de um povoado ali perto, em que a população sofria muito com a falta d’água, estão comemorando com foguetes e festas desde ontem a tarde quando o poço jorrou a água encanada até as casas dos moradores. Outra coisa que o João Vieira aprovou foi o meu trabalho com o Sindicato e o investimento que tenho feito no homem do campo. Ele está muito gratificado

- Francisca Bandeira – É uma pessoa que temos nos dado muito bem. Tanto ela como a família dela. Não votou em mim, mas me acompanha. O Cascaria fez umas propostas para ela e tudo mais. Mas ela está bem no nosso grupo.

B.C. – Como está sua relação com os funcionários do município?

Prefeito Gildásio - Eu faço tudo para agradar os funcionários: atendo todas as reivindicações da classe. Sempre no dia 27 de cada mês, os funcionários recebem seus salários em suas contas correntes no Banco do Brasil. Hoje os professores têm a Lei de Cargos e Salários de sua classe vigorando. Foi uma conquista do meu governo. Independente de quem seja o prefeito eles estão seguros. E graça a esse plano de cargos e salário, Poção de Pedras paga um dos melhores salários do Estado. Tem professor que recebe até três mil q quatrocentos reais (R$ 3.400,00)! Temo inclusive transportes para levar e trazer os professores as comunidade rurais. Também, tenho conversado e dialogado com a classe. Eu sou o único prefeito da história do município que participa das assembleias gerais.  Converso e dialogo com eles. Eu ouço e deixo-os falarem a vontade, inclusive peço que eles façam críticas.

B.C. - E essa história que o senhor pressiona os funcionários, principalmente os que não acompanham o senhor politicamente?

Prefeito Gildásio - Vou repetir mais uma vez: eu deixo os funcionários a vontade! Mas em tese, funcionário não gosta de patrão. Há quase dois anos, também diziam que eu não estava nada bem com os funcionários e, que por causa disso, o deputado que eu apoiei, Stenio Resende, só receberia 600 votos em Poção de Pedras, e ele recebeu 3700 votos, o mais bem votado da região! Às vezes temos que ser rígidos em algumas coisas. Tem funcionário que quer o cargo do colega. Tem até quem pede para botar alguém no lugar dele. Tem gente que não quer ir trabalhar, mas não abre mão do salario. São práticas absurdas que a gente enfrenta todo dia. Isso são a minoria, mas essa parte querem por que querem que os interesses deles estejam acima dos interesses do município. Eles não querem se adequar ao emprego, querem que o emprego se adequem a eles. Vejam só: professor tem que cumprir 40 horas semanais e prestam concursos em municípios vizinhos e se aprovados trazem esse problema para gente. É por isso que sou contra a reeleição. No sistema de reeleição a gente é obrigado a fazer uma campanha eterna. Se não fosse isso, agiríamos com mais rigor administrativo para impedir absurdos que só acontecem nas esferas municipais. Eu faço minha parte, explico, dialogo com classe. Mas eu espero é o reconhecimento deles pelos benefícios que conquistaram em minha gestão. Quando eu estava na oposição, eu dizia que não aceitava “PROFESSOR TQQ”, ou seja, professor que só trabalhar terça, quarta e quinta...

B.C. - Prefeito, recebo informações que existe um grande número de professores que, por acordos políticos com o senhor, estão fora da sala de aula, porém que continuam recebendo os ordenados.

Prefeito Gildásio - Sobre isso vou te contar uma história. Aqui tem um rapaz chamado Peruta, meu conterrâneo, nasceu na Água Branca.  Na primeira gestão do Dr. João, eu o procurei, dei a ele uma oportunidade, o coloquei como meu assessor e trabalhando na vigilância sanitária. Mas lá ele andou pisando feio na bola ao ponto do Dr. João querer demiti-lo. Conseguir segurá-lo no trabalho. Depois que eu saí do governo, o Peruta começou a assessora o Dr. João, e a defendê-lo também. E ele se tornou uma pessoa contrária à gente sempre, sempre!  Por mais que eu tenha tentado ter uma boa relação com ele, não tenho conseguido. E agora por último, ele conseguiu se eleger presidente da Associação de Professores e tem usado esse cargo para fazer política contra mim, contra o meu governo.

- Voltando aos professores, antes do Plano de Cargos e Salários, quando não tínhamos uma lei definida, os prefeitos pagavam um salário pequenininho e como eles tinham que cumprir os 60% obrigatório do Fundeb, pagava 14º e 15º salários. Os professores desavisados achavam aquela situação uma maravilha! Ganhar R$ 500,00 por mês para receber mais dois salários de abono no final do ano! Quando pegavam aquele dinheiro era uma festa!

- Mas quando eu assumi, numa Assembleia em outubro, os professores me pediram que elaborasse um plano de cargos e salários da classe. Fiz o que eles me pediram. Contratei um especialista e deixei esse especialista à vontade com os professores. Nem cheguei a conhecê-lo. Elaboraram o plano e a Câmara aprovou. Hoje os professores tem uma lei definida. É o tempo de serviço, títulos, etc e salário digno. O município gasta hoje 68% com salários de professores, bem acima do teto de 60%. Eles reclamam de abono, mas a lei é clara. Só se deve dar abono se o município não atingir os 60%. No ano passado, demos 26% de aumento e nesse ano 22%. Todos aqui têm um salário excelente, mas o Peruta procura colocar a classe contra mim. Eu já disse a Cleonice, que é presidente do sindicado, que é preciso esclarecer essas verdades para a classe, trabalhar mais essa informação. Procurem um advogado para discutir, examine a lei e situação dos municípios vizinhos. Estamos construindo 20 salas de informática. Estamos substituindo as escolinhas de taipa por escolas pequenas, mas decentes. Estou concluindo 6 agora e já vou começar mais 6. Pago um salário em dia. É o salário mais valorizado da região. Já chamei a Cleonice e perguntei a ela se os professores querem é voltar ao passado, no tempo dos abonos.

B.C. – O senhor falou de muitas vantagens, Poção de Pedras não tem problemas, prefeito?

Prefeito Gildásio - Temos sim, mas são problemas históricos que talvez você os conheça que nos jogaram para a rabada entre os outros municípios. Muitos dos recursos que os nossos vizinhos tem há muitos anos, só agora que passamos a usufruir. E na minha avaliação, estamos preparando o município para o segundo momento.

Prefeito Gildásio Se você me der a oportunidade, tem um tal de panfleto intitulado Pau na Máfia, do Ludovico Arino Ariosto. É um apócrifo, um anônimo que vive de fala mal de minha administração, e agora, tem procurado falar mal e inverdade da moral das famílias. O autor dele eu sei quem é, mas não tenho ainda as provas. Não passa de um covarde! Quando eu fui oposição ao Dr. João, eu editei um jornalzinho. Nele coloquei o meu nome e mandei para a gráfica. Não fazia jogo sujo. Não me escondia em panfletos anônimos atirado na calada da noite. Mostrava a minha cara e entregava os jornais aos meus amigos, publicamente. Na verdade, nem perco tempo lendo esse panfleto anônimo.

B.C. - Como o senhor considera sua aprovação pelos munícipes?

Prefeito Gildásio - Tivemos dificuldades financeiras seríssimas nos primeiros dois anos com perdas de recursos. E claro que no ano passado não estávamos tão bem por esse motivo. Mas isso aconteceu aos outros prefeitos. Às vezes tem gente que pede um emprego e não podemos oferecer essa vaga, ele fica chateado e quando aparece um camarada prometendo mundos e fundos, ele corre para lá. Mas conseguimos fazer várias realizações tanto na zona rural como na sede. Acredito que temos uma boa aprovação popular do nosso governo. Nosso adversário conquistou a Ângela e o Valney afirmando que tinha uma vantagem muito grande sobre mim, mas essa vantagem não existe.

B.C. - E o Matadouro?

Prefeito Gildásio - Carlinhos, um dos meus grandes sonhos é construir um estádio de futebol em Poção de Pedras. Municípios vizinhos tem um estádio e nós não temos. Lutamos muito para conseguir alguns recursos pensando em construir nosso estádio, mas depois de refletir decidi transformar o recurso no projeto do matadouro. Temos a licença ambiental e estamos para receber os recursos do matadouro!

B.C. – E o Estádio, que também é o sonho de vários desportistas?

Prefeito Gildásio - Como Gestor, tenho que pensar nas prioridades de nosso município. No momento a prioridade é o nosso matadouro, pois entendo que é a coisa certa. Em pouco tempo a vigilância sanitária do Estado estará aqui, porque estará em todo o Maranhão, proibindo o abate de carne clandestina. Já mandei preparar o terreno com serviços de terraplanagem. O Estádio vai ser feito em nosso segundo momento.

- Falando sobre alternativas de lazer, em Lago do Junco, todo ano acontece o festival do Galo Duro, e eu estou pensando seriamente em fazer algo parecido em Poção de pedras. Vou criar um balneário no caminho da Alegria. E vamos fazer um festival nos moldes do Galo Duro, o mês inteiro e todo final de semana uma banda. Algo para se tornar tradicional. É um projeto que Deus vai me ajudar a realizar no segundo momento.

B.C. – E sobre os hospitais, falta de médicos, estrutura precária, falta de remédios?

Prefeito Gildásio - Esse é um assunto que entendo bem: o problema de saúde é nacional. Estamos numa região muito carente de médicos. Se no Rio de Janeiro ou São Paulo vemos todo dia esse problema na TV, imagine nossa realidade! É caro manter um profissional da medicina. E se torna mais caro pela escassez desses profissionais na região. Se tiver pouco tomate na feira, os tomates custarão mais caro. É a velha Lei da Oferta e da Procura! O SUS é um Sistema de Saúde que precisa ser melhorado. O SUS paga apenas dois reais e cinquenta centavos (R$ 2,50) por consulta básica. Contratar um médico custa algo entorno de 15 mil reais. O município é obrigado a arcar com a diferença. Quando conseguimos contratar um médico, depois de 2 ou 3 meses, aparece outro prefeito, oferece a ele dois mil ou três mil reais a mais do que a gente e acaba nos levando o profissional. É uma rotatividade muito grande, infelizmente! Mas temos um bom quadro de médicos trabalhando no município. Ainda assim, hoje temos médico de plantão e um médico auxiliar. No ambulatório temos médicos todos os dias, nos dois períodos! Temos anestesista, dois cirurgiões, gastro, ortopedista, nutricionista, fisioterapeutas, psicólogos, psiquiatra, cardiologista e oftalmologista ambulatorial. Entre os municípios da região estamos em melhor situação. Temos medicamentos, mas é para a população pobre. Todo o Brasil tem problemas com o SUS, em Poção de Pedras temos os mesmo problemas encontrados no resto do Brasil, mas o meu sistema de saúde é o melhor da região.

B.C. - E a estruturas dos hospitais, alguns dizem que precisam de melhoria?

Prefeito Gildásio - Nossos hospitais não são mesmos bonitos, sei disso! Tem um hospital que já foi do Juscelino, do Dr. Antônio e agora está com município. A gente aumenta, transforma uma casa, mas mesmo sem beleza física ele cumpre o seu papel. Não ganhamos um belo hospital, como o do Lago do Rodrigues, porque quando a Governadora Roseana assumiu, eu era do quadro de oposição. Claro, ela destinou os hospitais para seus aliados. Só de recursos que estavam destinados a Poção de pedras, perdemos 6 milhões que foi retirado do Banco do Brasil pelo governo do Estado. Com esse dinheiro daria para fazer uma revolução administrativa no município. Alguns desses hospitais dado pelo Estado nunca foram inaugurados. Uma vez conversando com o prefeito Valdemar da Serraria, fiz umas contas para ele: só com os médicos ele gastaria mais de 30 mil por mês dos recursos do município no hospital que ele ganhou do Estado. Enquanto o SUS só auxiliaria com algo de entorno de 15 mil reais. Dito e feito. Valdemar inaugurou o hospital, mas na mesma semana entregou para o Estado. Não conseguiu manter com recursos próprios os gastos elevados de um hospital com 50 leitos.

B.C. - E voltando a eleição, o senhor tem confiança que ganha essa disputa?

Prefeito Gildásio - Acredito e vou ganhar a eleição, Carlinhos. Estamos bem na zona rural e aqui na sede, revertemos o quadro. O grupo está coeso. Mesmo que tenha gente que por alguma razão não gosta de mim, mas liderança que ele segue, acaba conquistando esse voto para gente. Essa é a importância do grupo. Estamos fechados. Temos três estradas que acabamos de ganhar para colocar na região do Barro Vermelho. Estou concluindo os asfaltamentos na Água Branca. E vou asfaltar outros seis povoados importantes. Essas coisas me dão certeza que estamos no caminho certo e que a vitória será nossa!

- Em nenhum momento tive dúvidas, em nenhum momento tive medo.  Eu trabalho com os pés nos chãos, observando, sondando o meu grupo e tenho muita segurança e tranquilidade. Eu vivo trabalhando enquanto ele vive fazendo campanha. Eu não podia entrar na dele. Vou entrar no jogo na hora do jogo.

- O Grupo dele, eu conheço, esteve com o Dr. João, e sempre foram uns insatisfeitos. Mas o meu, é uma grande parceria de amigos. Nossas ações são sempre planejadas, dialogadas. Com a força desse grupo podemos trabalhar na sede e reverter à situação. Uma parte significativa do eleitorado não vota na dúvida. Eles acompanham quem vai ganhar. Eu tenho um grupo e historicamente aqui quem tem ganhado eleição é o grupo. Com esses elementos, estou bem tranquilo e não vou permitir que me desestabilizem com esses panfletos infames que caluniam a moral de nossas famílias. Eu não vou entrar na deles, ainda que ajam de forma antiética comigo. Eu trabalho para manter o meu grupo e vou continuar trabalhando e articulando.

B.C. - Mas alguma coisa, prefeito, para encerrar nossa conversa?

Prefeito Gildásio - Estou com um projeto com o cineasta Cícero Filho e vamos fazer projeções gratuitas do filme “Flor de Abril”. Emocionei-me quando vi em São Luís algumas imagens do filme na TV e desde aquela hora cheguei a conclusão que os meus conterrâneos tem o direito de assisti-lo também. Em alguns dias, a população de Poção de pedras estará assistindo, sem custo, essa linda obra de um poçopedense, o Filme “Flor de Abril”.

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