Nobre blogueiro, gostaria de tecer alguns comentários (ou observações) sobre o texto que vossa senhoria publicou recentemente, envolvendo shows gospel e católico. As palavras entre aspas foram retiradas diretamente do seu texto.

1 – “No show eu, o blogueiro, fiz uma distinção entre as festas evangélicas atuais e os shows católicos.” O articulista deixa bem claro que suas considerações dizem respeito ao contraste entre os shows católico e evangélico. Ele continua, dizendo que o show católico que assistiu não teve lugar para “forró gospel, funk gospel, pagode gospel, pé de serra gospel...”.
2 – A partir daí as considerações do articulista levam o leitor a pensar que não existe funk católico, forró católico, pagode católico e pé de serra católico. Ignora que todos estes ritmos não possuem barreiras religiosas, mas podem ser encontrados (na sua totalidade) em quase todos os grupos cristãos.

3 – Todos os ritmos citados acima andam longe do repertório do padre Fábio de Melo, assim como (acredito, embora nunca tenha assistido) também não fazem o estilo do popular padre Zezinho. No mundo gospel também encontramos esse “estilo calminho, clássico, zen”. Existem muitos cantores e até bandas em cujos shows o estilo musical não possui nada de forró, pagode, reggae ou outro estilo popular mais, digamos, “zoadento”, ou como diz o blogueiro, “mundano”.

4 – Portanto, comparar, por exemplo, Felipão e banda com o padre Fábio de Melo é ilógico e injusto. São estilos diferentes e públicos diferentes (apesar de existir fãs dos dois tipos, ao mesmo tempo).
5 – A decadência da música cristã apontada pelo blogueiro, infelizmente, é verdade. Não se fazem mais música como antigamente, e com isso não me refiro ao estilo musical, mas às letras (apesar de, particularmente, achar que certos ritmos, como o funk, não combina bem com o louvor cristão).

6 – Conheço muitos (na minha denominação) que fecham a cara diante de um hino num ritmo mais acelerado – esses indivíduos não estão nem aí para a letra. Mas conheço muitas letras inspiradas (e biblicamente corretas) inseridas num estilo musical mais “mundano”, ao mesmo tempo em que existem músicas com letras antibíblicas numa melodia “cristã”. Essa é a confusão do nosso tempo.

7 – Qualquer que seja o estilo musical, acredito que o objetivo da música cristã deve ser: levar o individuo a refletir sobre Deus, sua vida, na família e naquilo que realmente importa, e não levá-lo a algumas horas de divertimento, prazer e distração.

8 – “No show do Padre Fábio de Melo, eu vi famílias reunidas, casais de mãos dadas, idosos, crianças, respeito mútuos um show verdadeiramente cristão.” Sim, caro blogueiro, mas você poderá encontrar também essas mesmas manifestações em alguns shows evangélicos (raros em nossa região, eu sei, mas que existem, existem). O inverso também é verdadeiro: existem várias festas (e bandas) católicas em ritmos alucinados.


9 – Nos comentários, o blogueiro cita algumas letras de músicas gospel no estilo funk e forró. A forma como os textos são apresentados podem passar ao leitor a impressão de que é esse tipo de música que imperam nos shows gospel – uma idéia totalmente errada.

10 – Na verdade, concordo com, digamos uns 70%, o que o blogueiro escreveu, principalmente sobre a decadência da música evangélica (que está não somente em ritmos cada vez mais doidos, mas principalmente em suas letras ANTROPOCÊNTRICAS, isto é, centradas no homem). Vou explicar melhor:

11 – O blogueiro e os leitores já observaram que, atualmente, talvez a maioria dos hinos gospel está mais centrado no homem do que em Jesus? Permitam-me citar um exemplo, para ficar mais claro: Uma música famosa diz, num dos seus versos, que, quando Deus me exaltar, eu vou estar no palco e meus inimigos na platéia. Outras, muito populares, dizem: Você é vencedor, você vai vencer, você, você, você, você... quando antigamente, as musicas eram (em sua quase totalidade) sobre a exaltação de Deus, de Jesus, mostrando Jesus como o Salvador e o homem como o pecador que precisava da salvação, etc.

12 – Já observaram que, em épocas de campanhas políticas, muitos hinos gospel são utilizados sem precisar nem mudar a letra? VAI DAR TUDO CERTO, CAMPEAO, VENCEDOR, etc. A decadência musical gospel começou por aí e não pelos ritmos.


13 – Muitos artistas evangélicos, em suas músicas, têm exaltado o homem em vez de Jesus, e muitos artistas católicos tem caído no mesmo erro. O padre Zezinho tem clássicos lindos (como UM CERTO GALILEU, a meu ver, biblicamente correta, bela melodia e letra, gosto de ouvi-la), mas tem também algumas músicas de melodia linda, mas de letras biblicamente contraditórias.

14 – Finalizando: Como já disse, concordo com 70% do que o blogueiro escreveu, mas os 30% em que discordo, são:

a) 15% - A impressão que o texto passa de que os shows gospel existente hoje no Brasil, resumem-se apenas às bandas de forró, gospel e outros da mesma laia – Não, meus amigos. Graças ao Bom Deus ainda existem levitas abençoados, cujas músicas penetram até a alma e o espírito.

b) 15% - Não gostei do “tom” com que o nobre blogueiro escreveu seu texto. Dá a impressão de que ele está revoltado com os evangélicos (eu acredito que não seja esse o caso). Algumas frases ou expressões nos permitem ficar com essa impressão.

         “Show do Padre Fábio de Melo foi um acontecimento Cristão e não mais uma molecagem gospel” – “não mais uma molecagem gospel”. Parece que os últimos shows gospel em que o blogueiro participou não foram lá muito “gospel”.

            “No show católico de ontem, não tinha lugar para manifestações de forró gospel, funk gospel, pagode gospel, pé de serra gospel ou qualquer outra esculhambação gospel” – “qualquer outra esculhambação gospel” – Ou seja, forró, funk, pagode e pé de serra (misturados com gospel) são, na opinião do blogueiro, uma esculhambação. Ao escrever “ou “qualquer outra esculhambação gospel”, dá a impressão de que nada mais presta no meio gospel.

            Bem, eu precisava tecer estes comentários e o blogueiro (assim como os leitores) tem todo o direito de discordar, só espero que façam isso como pessoas civilizadas e não como bárbaros.

            Em tempo: Geralmente os comentaristas se assinam como “anônimo”, e assim, ficam à vontade para xingarem, esculhambarem, e mostrarem todo seu repertório de palavrões. Como sempre assino meus textos, qualquer pessoa pode até me xingar, mas os “anônimos” não tem moral nenhuma para fazer isso.