O Blog esteve presente na Câmara de Vereadores de Pedreiras, na ocasião das solenidades que marcaram o aniversário de 93 anos daquele município. Chamou-me atenção o nome que ‘batizaram’ a Mesa Diretora da Câmara pedreirense “VEREADOR ASSIS SILVA”.  Os antigos e os novos que leram o livro de Nilton Pinto, Poção de Pedras numa sinopse histórica, deverão reconhecê-lo como o primeiro prefeito de Poção de Pedras. Gerson Sá foi o primeiro prefeito eleito, votado, mas Assis Silva o antecedeu como o primeiro prefeito interventor, nomeado pelo então governador Newton Bello. No final dessa postagem temos as informações de ambos, escrita por Nilton Pinto.

Não deixo de externar o sentimento de orgulho que senti ao contemplar o nome do nosso primeiro prefeito sendo prestigiado pela Câmara de Vereadores de um grande município, Pedreiras. Ora, Assis Silva devia ser pedreirense, como um dia foi toda Poção de Pedras também.

Isso me trouxe a ideia da importância de também homenagearmos nossos fundadores e todas as pessoas ilustres de nossa terra. Eu não sei ao certo, mas quantos prédios públicos leva o nome dessas pessoas tão importante a nossa história? Tem escolas com o nome do Prefeito Gerson Gomes de Sá e do prefeito Assis Silva?

O Assis Silva eu não o conheci. Acredito que quando nasci, em meados de 70, ele já tinha voltado a Pedreiras para traçar uma importante história política naquele município, do contrário, o nome dele não estaria brilhando na Mesa Diretora da Câmara de Vereadores de Pedreiras. Sua missão em Poção de Pedras fora concluída com êxito: ajudou em nossa emancipação!

O Gerson Sá, eu conheci, durante anos, sem nunca termo trocando uma palavra. Eu o via sentando, em frente a sua casa, que hoje pertence ao Dr. Rangel, já aposentado da vida pública, folheando exemplares das revistas Mesbla e Hermes.

Continua...


O então prefeito Dr. Luís, em 1985, construiu uma praça e homenageou o nosso fundador com o nome dela. Praça Gerson Gomes de Sá. Lembro que os canteiros formavam as iniciais GGS. No centro da Praça tinha uma TV preto e branco que o povo da Rua das Cancelas subia a ladeira para assistir o Jornal Nacional e a novela das oito. Depois da novela, o seu Chico, vigia da Praça GGS desligava o aparelho.

Eu particularmente não gostava do seu Chico desde o dia que ele cortara a minha bola a facão que eu ganhei do Bebé. O vigia tinha o péssimo hábito de corta todas as bolas que aparecia na praça, temendo que ela quebrasse a Televisão. Pensa numa sensação ruim quando eu o vi o seu Chico cortando a minha bola de leite com tanta facilidade. Foi uma visão rápida, quanto eterna!  Eu odiava o seu Chico! O homem administrava uma Praça em que as crianças eram proibidas de brincar. Interessante que ele deixava a televisão em minha casa, perto da Praça, aos cuidados de minha mãe. Eu tinha tanta vontade de quebrá-la para vingar a minha bola de leite. Uns 14 anos depois reencontrei o seu Chico numa casa do Mafumbá, já velho, com pouca visão, me reconheceu e os olhos vermelhos dele encheram-se de lágrimas. Não nego que fiquei emocionando também, lembrei da bola, ele pediu desculpas e fizemos finalmente as pazes. Na calçada da casa dele tinham um dos bancos da Praça que ele devia ter levado para matar a saudade da velha GGS.

Mas voltado aos nossos fundadores. Dr. Luís mandou fazer um busto de gesso do velho Gerson. Antes da inauguração oficial da Praça GGS, o homenageado foi conhecer o busto. E advinha quem estava presente, cheio de curiosidade? O blogueiro na idade, imagino, de 12 anos.

Lembro bem dessa cena, o velho fundador, no seu corpo macérrimo, pequeno, cansado de tantas batalhas, olhou o busto com curiosidade, reclamou de alguma coisa, as pessoas em volta gargalharam, uma dela era Dr. Luís e depois ele mesmos sorriu um sorriso de aprovação. O fundador entrou num carro e desceu a rua de volta a sua casa. O busto ficou a nossa disposição. E quando o vigia não estava presente, o Nem, filho do finado sanfoneiro Chico Cego, montava em cima do busto, fazendo estripulias. Eu particularmente achava aquilo horrível, mas o Nem não tinha limites.

No colégio Newton Bello, a gente especulava que quando o Gerson morresse teríamos uma semana sem aulas! Outros já almejam mais do que isso. Então imaginam a nossa expectativa. Como éramos malvados naquela época do colegial! Todavia, esse sentimento interesseiro revelávamos numa idade tenra o reconhecimento que o velho Gerson Sá era a pessoa mais importante de Poção de Pedras! Sim, o nosso fundador!

Ano passado, em conversa com Max Sá, ele reclamou repetidamente o fato da dona Loíde, viúva do Gerson Sá, não ter sido convidadas para as homenagens no aniversário de 50 anos de emancipação de Poção de Pedras, o Jubileu de Ouro. “Ela é a viúva do fundador de Poção de Pedras e o prefeito não a chamou e não lhe deu um certificado de reconhecimento à mulher do Gerson, Carlinhos. Foi muito injusto!” Parece, seu Max, que somente o Dr. Luís teve esse mérito ao prestigiar o nosso fundador, e melhor ainda, o fez em vida com aquela bela Praça que faz parte da infância de muita gente.

Depois vieram outros prefeitos, reformaram a Praça, tiram os canteiros que formavam as iniciais GGS e sumiram para sempre com o busto do nosso fundador Gerson Gomes de Sá.

E quanto ao primeiro prefeito Assis Silva, esse se não fosse Nilton Pinto, nós nem saberíamos de sua existência. Desconheço escolas ou outros prédios públicos com o nome dele, mas se houver, perdoe a minha ignorância. Sei apenas que ele teve um filho, Juscelino Oliveira e Silva, que nasceu nos rumos do Mafumbá. Juscelino, filho do Assis Silva de sangue poçopedrense, seguiu a carreira do pai, como político e fundador de cidade. O filho de Assis Silva ajudou na fundação do município de Açailândia nos anos 80 e é hoje o vice-prefeito daquela cidade.

Ah, como eu disse, Juscelino, o vice-prefeito de Açailândia é filho de Poção de Pedras e quando inventamos uma rua para batizar com o nome Assis Silva, não se esqueça de convidar o filho dele para descerrar a fita de inauguração; da mesma forma, quando acharmos uma Rua ou prédio público para batizar com o nome do Gerson Gomes de Sá, não se esqueça de convidar dona Loíde, viúva do fundador para inauguração. Não esqueça e sejam rápido!


AS NOMEAÇÕES DOS INTERVENTORES

 

Após a criação do município Poção de Pedras, veio em seguida a nomeação do primeiro interventor, Francisco Assis Silva, antigo serventuário da justiça, responsável pelo Cartório Único no Município.

Francisco Assis Silva assumiu interinamente no dia 20 de janeiro de 1962, dia de São Sebastião, na época, padroeiro do Município, o cargo de prefeito nomeado do município de Poção de Pedras. Francisco Assis exerceu o cargo nomeado pelo governador Newton de Barros Bello.

Sua administração foi curta, durou até o dia 31 de agosto de 1962, quando por divergências políticas foi destituído do cargo a pedido do antigo representante desta região, o vereador Gerson Gomes de Sá, que exercia o cargo de vereança pelo o município de Pedreiras, um dos responsáveis direto pela criação do município.

No dia 31 de agosto após ser exonerado do cargo de prefeito nomeado em comissão, Francisco Assis Silva foi substituído pelo professor primário, Antonio Vieira Vasconcelos, que ao prestar juramento e compromisso às lei assumiu no dia 2 de setembro de 1962 o cargo de prefeito interino, com uma enorme responsabilidade de governar o município e organizar o pleito eleitoral, o primeiro que o novo município realizaria.

GERSON GOMES DE SÁ

Foi um dos mais altivos representantes do povoado de Poção de Pedras e um dos responsáveis pela criação do município. Foi representante desta região por três mandatos de vereador pelo município de Pedreiras. Político astuto de personalidade forte refletida em todos seus atos.

Tinha uma forte liderança conquistada com bravura de seu trabalho desempenhado como político e como comerciante, pois era um dos maiores beneficiadores e compradores de arroz desta região, função que exercia quando não estava no parlamento.

Foi o primeiro prefeito eleito do município de Poção de Pedras com a realização da eleição municipal de 07/10/1962, vencendo seu maior opositor Antenor Martins Pinto numa eleição de resultado duvidosa por uma pequena margem de votos.

Governou o município por seis anos e vinte dias e na eleição municipal de 15/11/1972, disputou o cargo de prefeito pelo o partido ARENA com o candidato também arenista Rafael Correia Barros, onde perdeu com uma expressiva diferença de votos.

Gerson Gomes de Sá nasceu em Picos, no estado do Piauí, aqui residente por muitos anos, ao lado de seu irmão Francisco Gomes de Sá, ex-prefeito do município de Pedreiras e mais tarde eleito deputado estadual, foi um dos responsáveis direto pela criação do município de Poção de Pedras. O requerimento foi autoria do Dep. Estadual Raimundo Sá, seu sobrinho, filho de seu irmão Chico Sá.

Mais tarde, por suas constantes denúncias vazias, e, sem fundamentos, contra o prefeito Rafael Correia Barros, perdeu seus direitos políticos, sendo cassado pela Justiça Eleitoral, ficando inelegível por oito anos. Veio falecer em sua residência, na cidade de Poção de Pedras, vítima de ataque cardíaco, sendo enterrado no Cemitério São João Batista nesta cidade.

PINTO, Nilton. Poção de Pedras numa sinopse histórica. 1º Edição. Janeiro de 2011. P. 28 e P. 57 e 58.



 Câmara de Vereadores de Pedreiras