Compartilhe essa Notícia:

Bioquímico Luís Henrique

Na tarde da última terça-feira (29), o Blog do Carlinhos conversou com Luís Henrique Moura Sousa, bioquímico e diretor do Laboratório Municipal José Carvalho (LACEN), responsável por estruturar o combate ao coronavírus no município de Pedreiras. Na conversa, Luís Henrique falou sobre a situação da pandemia na cidade e as medidas que vem sendo feitas para combatê-la.

Confira.

Carlinhos - Como vem ocorrendo o combate ao coronavírus em Pedreiras nesse período de pandemia?

Luís Henrique - Os esforços foram iniciados bem antes da pandemia. Eu sou farmacêutico bioquímico e também microbiologista, e aqui já estávamos preparados para esse cenário. Nosso professor já fazia comentários sobre a possibilidade de encararmos uma pandemia que mexeria com a sociedade, o que de fato aconteceu. 

Já estou há oito anos no município e por estar aqui desde o tempo do ex-prefeito Lenoilson, o trabalho que fizemos foi o de reconstruir tudo e entregar uma estrutura humanizada para a população. Nosso setor tem material para trabalhar até fevereiro já com a nova gestão. Temos hoje a sensação de dever cumprido. 

A forma como era antes deixava muito a desejar, pois as pessoas chegavam aqui de madrugada, pegavam fila e tinham que esperar 30 dias para receber exames. Isso era desumano, mas já acabou. Hoje você vem, marca o seu exame e no outro dia já recebe o resultado. 

Carlinhos - E no momento mais grave da pandemia, como foram as ações? 

Luís Henrique - Quando as pessoas ficaram aterrorizadas com o coronavírus, muitos procuraram nossos serviços. Era uma situação de pânico. Eu vi o melhor e o pior da sociedade nesse período, não podemos citar nomes, mas teve muito gente de peso, todas bem informadas, que foram tomadas por uma forte angústia, que se agravou no momento em que surgiram mortes. 

Mas ainda bem que tínhamos uma estrutura boa para acolher as pessoas, tranquilizá-las e, inclusive, tivemos condições de ir nas casas dos moradores, quando ninguém mais poderia ir. Nesse serviço de casa em casa, coletamos exames e demos palavras de conforto a todos. 

Esse contato com pacientes foi essencial para não tratar o exame positivo como um atestado de morte. Junto a isso nos preocupamos muito com a questão da automedicação, que foi até pior que o coronavírus, pois medicação tomada de forma desorganizada mata, sem falar da questão psicológica devido às notícias distorcidas. Muitas pessoas morriam primeiro na própria mente delas, disso já fui testemunha ocular, inclusive vi infartos por conta da histeria. 

Guerreiro em luta pela saúde do povo pedreirense
Henrique em seu local de trabalho

Carlinhos - Hoje a situação está mais calma? 

Luís Henrique - Sim, às vezes não entendo muito bem a política brasileira, que infelizmente impõe medidas 'guela abaixo' contra a população. Hoje fala-se numa segunda onda, mas que, de qualquer forma não é mais tão grave. 

Se olharmos no caso de Pedreiras, a gente faz todo dia 10 ou 20 testes, enquanto no pico fazíamos de 80 a 100. No período mais grave, tínhamos 60 a 70 testes positivos diários. Agora, a procura está menor, e  só temos 2 ou 3 casos positivos por dia. 

Eu brinco aqui com o pessoal, dizendo que as pessoas agora atenderam o que Bolsonaro defendia, de que tem que se contaminar mesmo e ir para cima, e foi isso que aconteceu, como se a cura fosse o vírus. Olhando agora, o comportamento do vírus no estado está diferente. Até no hospital de campanha já reduziu as internações, que na maioria eram de outros municípios. 

A questão da medicação também foi muito bem aplicada, porém, no caso da cloroquina os produtos foram vencendo e não teve tanto interesse assim, pois a busca diminuiu e os médicos pararam de prescrever. Eu como farmacêutico, classifico essa droga como questionável, para mim, ela não tinha essa eficácia tão grande que pregaram.

Carlinhos - O Governador e vários prefeitos estão proibindo eventos de final de ano para evitar aglomerações e riscos de contaminação. Como você vê isso?

Luís Henrique -  Por mim podia liberar tudo, porque não faz mais sentido impor qualquer tipo de bloqueio nessa altura. 

O prefeito Antônio França seguiu a orientação do Governo do Estado, mas eu, particularmente não vejo nenhuma necessidade. Quando a população e os hospitais estavam cheios e com risco de colapsar, essas medidas faziam sentido, mas hoje não há mais essa situação no Maranhão. 

Boa parte da população já está imunizada e acho muito difícil a pandemia voltar com força, mesmo porque a vacina já está chegando. Por conta disso, estamos próximos de alcançar algo que chamamos de imunidade de rebanho. Acredito que precisamos ficar alertas, mas nesse momento as paralizações só serão prejudiciais para a população que, sem o auxílio emergencial, vão passar necessidade devido aos desempregos. É muita coisa para se avaliar. 

Carlinhos - O combate ao coronavírus em Pedreiras foi feito por qual departamento/repartição? 

Luís Henrique - Desde o primeiro momento recebemos apoio do Ministério da Saúde e do Governo do Estado, que nos orientou a formar um núcleo no município. Tudo foi cumprido sob a direção da Drª Markleia. De lá para cá foi montada uma equipe técnica composta por enfermeiros, médicos, técnicos e farmacêuticos que fizeram o necessário para combater a covid-19. Até hoje esse grupo funciona e, assim que o novo secretário assumir a pasta, ele receberá esse mesmo serviço sem nenhum interrupção.  

Carlinhos - Podemos dizer então que a situação da pandemia está mais tranquila em Pedreiras? 

Luís Henrique - Sim, está controlada. 

Agora, por ser um vírus que vem sofrendo mutações na Europa, não podemos ignorar esse fator. Pode acontecer do vírus enfraquecer e sumir, mas também pode acontecer dele se fortalecer e gerar vírus mutantes que retomem o pico da pandemia. Nesse cenário, uma vacina pode não trazer efeito esperado. 

Embora se diga que as vacinas têm eficácia, daqui há seis meses ou um ano precisaremos de vacinas semelhantes para controlar os vírus. 

Fora isso, estamos cercados, pois há fungos e bactérias no Brasil com potencial de causar uma nova pandemia. 

Carlinhos - Você tem uma mensagem de ânimo para o povo de Pedreiras?

Luís Henrique -  Pedreiras é uma cidade forte, que se mantem viva e que se reinventa com seu povo humilde, acolhedor e trabalhador. Isso, Carlinhos, tem mantido esse município resistente durante todo esse tempo apesar da pandemia e também das políticas problemáticas. De qualquer forma, desejo que Pedreiras se mantenha forte e unida, pois todos aqui ficarão bem passado esse momento difícil, sem nenhuma dúvida.

Luís Henrique merece uma moção de aplausos


Mais 


⬇️⬇️ COMENTE AQUI ⬇️⬇️

1 Comentários

  1. Parabéns pêla entrevista, e parabéns pêlas respostas. Homem sábio, sensível e realista.

    ResponderExcluir

Informe da ALEMA