Vendas da bebida cresceram 7,6% em 2021 e volume comercializado em 2022 deve bater novo recorde, aponta Euromonitor. Consumo de 'vingança' nas ruas, persistência do hábito de beber dentro de casa e ano de Copa devem compensar impactos de corrosão da renda e de menor frequência nos bares.

Ainda que o movimento nos bares e restaurantes continue longe do padrão pré-Covid, o consumo de cerveja no país continua crescendo na pandemia — e deve registrar em 2022 um novo recorde de volume de vendas, mesmo com a inflação nas alturas, mostram números do setor.

Levantamento inédito da Euromonitor, antecipado para o g1, mostra que o volume de cerveja comercializado no Brasil cresceu 7,6% em 2021, superando o avanço de 5,3% registrado em 2020 e atingindo o recorde de 14,3 bilhões de litros. Até então, o melhor resultado tinha sido o de 2014, ano que o Brasil sediou a Copa do Mundo.

No ano passado, o crescimento foi puxado pelo volta do consumo fora e casa, que saltou 9,2% na comparação com o primeiro ano de pandemia, enquanto o consumo dentro de casa cresceu 5,4% após ter disparado 17,6% em 2020. A expectativa é que o volume total de vendas da bebida cresça novamente ao redor de 8% em 2022, alcançando 15,4 bilhões de litros e marcando o 4º ano consecutivo de alta.

Impactos da inflação

Dados do IBGE mostram que o preço da cerveja subiu 9,38% em 12 meses, abaixo da inflação oficial do país, que acumula alta de 11,73%. Fora de casa, a alta bem menor, de 5,22% em 12 meses, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA).

Ainda que a inflação ainda não esteja fazendo o brasileiro beber menos no total, ela tem obrigado o consumidor a fazer mais contas na hora de decidir onde e o que beber.

“Quem tomava cinco cervejas sozinho, hoje toma duas, quando muito três. Aquele pessoal que tomava duas, três caixas numa noite, pelo que eu venho acompanhando aqui, está muito longe de voltar a fazer isso”, constata Bigode.

A Euromonitor estima que o ritmo de crescimento do consumo dentro de casa voltará a ser maior que o das vendas em bares e restaurantes no fechamento do ano. "Quando o consumidor vê uma cerveja com preço duas vezes mais caro do que ele encontraria no mercado, ele acaba mantendo a demanda por esse produto no consumo off-trade [dentro de casa]", diz Mattos.

Já a Kantar aponta também para o avanço da concorrência de outros canais no consumo fora de casa. "Um dos canais que tem crescido muito é o ambulante, que vende um produto mais barato para a grande massa", afirma Romano.

Fonte: G1