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Além do desespero por não localizar os filhos pequenos, ela ainda tem que lidar com suspeitas injustas

Chegando aos 20 dias de buscas pelas duas crianças desaparecidas, Michel e Isabelle, a realidade começa a ficar ainda mais dura. As buscas praticamente se encerraram e agora devem seguir com muito menos gente, concentradas apenas em alguns pontos específicos. A própria Marinha já descarta a possibilidade de as crianças estarem dentro do rio. O fato é que não se sabe o que aconteceu com elas. O que existe hoje são apenas suspeitas.

Infelizmente, nessa ânsia por respostas, tem gente que passou a desconfiar até da mãe das crianças. E eu confesso que fico com muita pena dessa mulher. Ela já vive a dor imensa de não ter os filhos, de não saber onde eles estão, e ainda precisa carregar o peso cruel de ser colocada como suspeita. Isso é desumano.

O certo, gostem ou não, é que as crianças sumiram. E, a partir daí, todo mundo vira suspeito: o carroceiro, a família, qualquer pessoa que tenha passado pelo caminho. Já se fala até em impaciência com o menino Kauã, cobrando que ele ajude mais. Gente, o Kauã é um menino especial, é autista, tem limitações. Não dá para exigir dele mais do que ele pode oferecer.

E, no meio disso tudo, está a mãe, que sofre mais do que qualquer outra pessoa. Além da angústia diária, ainda precisa lidar com julgamentos, olhares atravessados e acusações veladas.

É importante lembrar que o próprio Kauã disse que as crianças não foram levadas, não foram raptadas. Segundo ele, saíram atrás de maracujás e se perderam na mata. Em determinado momento, ele se separou das crianças, deixou elas em uma casa e foi atrás de ajuda, até ser resgatado pelo carroceiro.

O que aconteceu depois disso ninguém sabe. Não se sabe se se afogaram, se caíram no rio, se foram raptadas, se sofreram algum ataque de animal. Não se sabe. E é justamente por isso que as investigações continuam.

Nesse momento, mais do que acusações e julgamentos, o que deveria prevalecer é a sensibilidade. É hora de apoiar a família, não de atacar. Deixar que a polícia faça o trabalho dela e, acima de tudo, lembrar que por trás de tudo isso existem crianças desaparecidas e uma mãe em sofrimento profundo.




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