Algoz de Brandão, Dino também foi alvo de depoimento de criminoso em 2014
O grupo político de Flávio Dino (ex-PCdoB) passou a explorar contra Carlos Brandão (MDB) um expediente conhecido do próprio ministro. Em 2014, quando disputava o governo do Maranhão, Dino, hoje no Supremo Tribunal Federal, foi alvo de acusações feitas por um preso de Pedrinhas em plena campanha eleitoral. Doze anos depois, aliados do ex-governador recorrem à palavra de outro condenado para desgastar Brandão e tentar dar sobrevida à candidatura de Felipe Camarão (PT).
Na eleição de 2014, André Escócio de Caldas apareceu em uma gravação exibida pela TV Difusora associando Dino, Weverton Rocha (PDT) e pessoas próximas ao grupo a um assalto a carro-forte ocorrido na Universidade Estadual do Maranhão. O caso foi explorado pela campanha de Edinho Lobão (MDB), derrotado naquele pleito.
Dias depois, André Escócio voltou atrás e disse à Polícia Civil que havia feito as declarações após receber promessas de dinheiro, proteção e benefícios no sistema penitenciário. A campanha de Dino classificou o episódio como armação e denunciou o uso de um preso para construir uma narrativa criminal contra um adversário político.
Agora, o personagem central é Gilbson Cutrim, condenado a mais de 13 anos de prisão pelo assassinato de João Bosco no Tech Office. Gilbson, que obteve progressão para o regime semiaberto por decisão de Dino, prestou depoimento à Polícia Federal e afirmou que teria levado dinheiro destinado a Brandão para dentro do Palácio dos Leões.
Brandão nega qualquer relação com o condenado, afirma que não há prova que sustente o relato e já contestou publicamente pontos do depoimento.
Ainda assim, as declarações passaram a ser exploradas politicamente por aliados de Dino e devem chegar ao programa eleitoral gratuito. A ofensiva mira o governador, que aposta na candidatura de Orleans Brandão (MDB) para sucedê-lo.
O movimento ocorre justamente quando Camarão, que recentemente adotou o nome Agwanã, tenta sair da lanterna nas pesquisas e ganhar fôlego eleitoral associando sua candidatura às imagens de Lula (PT) e Dino.
A disputa também pode favorecer Eduardo Braide (PSD), principal adversário do Palácio dos Leões. O ex-prefeito de São Luís não fechou com o grupo dinista diante da resistência de parte de seu eleitorado a Camarão e à esquerda, mas pode colher dividendos da guerra entre antigos aliados. Nos bastidores, há quem enxergue nessa convergência de interesses uma espécie de jogo combinado contra Brandão.
Em 2014, Dino denunciou como armação o uso da palavra de um preso em plena campanha. Doze anos depois, a história se inverte: o expediente agora atinge Brandão, com a marreta suprema de Dino no centro da disputa eleitoral.
Fonte: Marrapá





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