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Depois do escândalo de R$ 56 milhões, Paulo Curió voltou à Prefeitura de Turilândia e começou a desmontar a estrutura deixada pela intervenção estadual.

O retorno foi garantido por decisão de Alexandre de Moraes, do STF. Mas os decretos publicados mostram que a volta não é só administrativa: é retomada da máquina pública.

Investigado pelo Ministério Público do Maranhão por suspeita de desviar mais de R$ 56 milhões, Curió reassumiu abrindo uma ofensiva em várias frentes.

Um decreto criou uma equipe de transição para revisar, em 30 dias, contas, dividas, contratos, convenios, licitações, folha, nomeações, bens, trota e pendencias com órgãos de controle.

Outro exonerou todos os cargos comissionados, destazendo a estrutura montada durante a intervenção.

Efetivos em funções de confiança voltam aos cargos de origem; os demais devem devolver documentos, equipamentos, veículos, chaves, senhas e bens públicos.

Curió também determinou o recadastramento de efetivos, comissionados, temporários e cedidos. Quem não regularizar a situação poderá ter o pagamento suspenso, com direito a defesa.

O decreto mais amplo cria uma auditoria geral nas áreas administrativa, financeira, orçamentária, patrimonial, contratual e de pessoal. O foco é o período entre o afastamento e o retorno de Curió, mas atos anteriores ou posteriores também podem ser analisados.

A auditoria pode atingir licitações, contratos, pagamentos, contas bancárias, folha, obras, veículos, medicamentos, combustíveis, convênios, sistemas e senhas. Também manda preservar documentos e registros eletrônicos, além de submeter pagamentos a conferência prévia.

As medidas podem ser apresentadas como tentativa de entender a prefeitura após a intervenção. Mas também revelam uma estratégia: tirar o toco da crise que levou ao afastamento e lançá-lo sobre o período em que Turilândia esteve sob comando externo.

A volta ao cargo não encerra a crise. Curió retoma a máquina, revisa atos do interventor e se reposiciona politicamente. Mas a cobrança principal segue intacta: explicar como Turilândia chegou ao centro de uma investigação sobre mais de R$ 56 milhões desviados.

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