Dr.  Raimundo Jovita,
Dr. Raimundinho
Dr. Estrela,
Dr. Foquite
Foquitão ...
O ex-prefeito de Esperantinópolis (MA), Raimundo Jovita de Arruda Bonfim, mais conhecido pelo apelido de Dr. Raimundinho, 44 anos, foi entrevistado pelo Blog do Carlinhos, na manhã desta quarta-feira, dia 11. O longo e revelador bate-papo aconteceu via aplicativo de mensagem; o conceituado médico oncologista falou do período em que esteve à frente da Prefeitura (2013-2016), enumerou os avanços conquistados e não deixou de mencionar as dificuldades administrativas que precisou enfrentar, como a severa crise financeira e ainda comentou sobre a expectativa de servidores que aguardam receber proventos referentes ao mês de dezembro. Dr. Raimundinho falou do momento atual de sua vida (onde mora, o que está fazendo), e, por fim, deixou uma mensagem de força e de fé para o povo de Esperantinópolis. Leia a entrevista.

Carlinhos –  Onde o senhor está neste momento e o que está fazendo da vida?

Dr. Raimundinho - Trabalhando em Imperatriz e Porto Franco, classifico como uma mudança radical em meu endereço.

Carlinhos – Então, o senhor não voltou a morar em São Luís?

Dr. Raimundinho – Não, mudei para Imperatriz. Eu te falei, que viria para cá, mas você não deu importância e achava que era brincadeira (risos).

Carlinhos – E o por quê dessa distante do teu povo e de tua cidade, doutor?

Dr. Raimundinho – Ficando distante, creio que deixarei de ser ameaça ao grupo político ora no poder.  Temo perseguições... Meu papel, como prefeito, eu cumpri num momento de crise política, financeira e de identidade nacional, aonde todos os políticos foram colocados na mesma sacola e tratados como bandidos. Deixei de ser médico, trabalhador para ser ladrão na língua de pessoas que eu tinha apreço. Tudo pelo poder.

Carlinhos – Vamos falar sobre isso, com mais detalhes daqui a pouco, mas antes, um assunto que está quente ainda na cidade, sobre o dinheiro que o senhor deixou para o novo prefeito Aluisinho pagar servidores. Têm muitas reclamações e versões de ambas as partes, fale sobre isso.

Dr. Raimundinho – Isto está sendo resolvido. A administração atual precisa se qualificar mediante as normas do Banco do Brasil. Precisa avaliar as folhas de pagamentos empenhadas. E, só então, deliberar o pagamento. Isto requer tempo.

Quando assumi em 2012, recebi o mês de dezembro, terço de férias e alguns décimos sem pagamento e sem dinheiro em contas. Apenas aguardando o remanescente de 2012 que cairia em abril nas contas e paguei tudo antes do dia dez de fevereiro.
                       
Não persegui, nem acusei o ex-prefeito Mário Jorge. Apenas paguei o que era devido aos funcionários.

Carlinhos - Mas o senhor tem confiança que esses restos a pagar serão pagos pelo novo governo?
Continua...


Dr. Raimundinho – Tenho plena confiança que a nova administração cumprirá o pagamento. Entregamos as folhas empenhadas apenas neste ano, tendo em vista que não prevíamos um problema no sistema do banco. Achávamos que faríamos tudo entre os dias 27 e 30 de dezembro.
                   
A gerência do banco teve todo um esforço para que tudo fosse pago no dia 30, mas não foi possível.
                       
Mudando o ano, mudou a gestão. Os tokens tem que ser revalidados com os novos administradores. A contabilidade de ambas as gestões, quem saiu e quem assumiu, precisa fazer todo um processo de empenho e avaliação dos restos a pagar.

Isto tudo demanda tempo. Tenho pedido aos funcionários que entendam esta situação e que tenham paciência para que tudo seja feito de forma correta. Estamos ainda no início do mês.

Carlinhos - O senhor se sente à vontade para fazer uma avaliação sobre o novo governo municipal?

Dr. Raimundinho – Sempre procuro está à vontade para emitir minhas opiniões. O processo político democrático para existir requer alternância de poder. Na minha cidade houve esta alternância de forma democrática e eu respeito à decisão popular. Ainda é cedo para se fazer julgamentos.

O que posso dizer é que fizemos uma transição dentro dos ditames jurídicos. Ainda estamos nesta transição por conta deste inconveniente no pagamento do mês de dezembro. Creio que será resolvido.

Carlinhos - O senhor tem um grupo político, morando em Imperatriz, como fica a liderança desse grupo?

Dr. Raimundinho - Muito recente para falarmos neste assunto. Claro que não estou longe de nossos amigos, companheiro. Estamos sempre mantendo contato. Ocorre que neste início de ano, final de nosso governo, estou buscando voltar a estabilizar minha vida profissional e financeiramente.

Carlinhos – Compreendo doutor; e como o senhor avaliar o seu trabalho como Prefeito de Esperantinópolis?

Dr. Raimundinho - Procuramos fazer um trabalho voltado à população mais carente, dando assistência em todos setores das necessidades básicas das pessoas. Na educação, melhoramos o salário dos professores e serviços afins (agentes administrativos e serviços gerais); indexei o aumento anual ao aumento federal e procurei melhorar a estrutura das escolas, dando liberdade aos diretores para decidirem, junto às comunidades, sobre a aplicação do PDDE. (Programa Dinheiro Direto na Escola).

Na saúde, regularizamos  os profissionais com aprovação do plano de cargos e salários. Assim como pagamos salários dignos e em dia para médicos, odontólogos, enfermeiros, psicólogos e demais profissionais da saúde.  Mantivemos a um preço altíssimo o funcionamento 24 horas, sete dias por semana, um hospital e maternidade Santa Marta, atendendo São Roberto e São Raimundo, além de nossos usuários. Sem nenhuma ajuda mensal do Estado, apenas com recursos federais, congelados desde 1998 na saúde.

Ainda fizemos um concurso para preenchimento de vagas, em todas as áreas, nunca realizado em Esperantinópolis.

Na assistência social, melhoramos o atendimento, recadastramento de todos, os programas federais, colocando em Esperantinópolis, valores superiores aos repasses de FPM anual. E fomos eleitos, entre as cem melhores, Secretarias de Assistência Social do Brasil.

Montamos a casa de apoio em São Luís. Acabando com os entraves de nossos doentes que procuravam serviço em Teresina e não eram atendidos pelo SUS. Colocamos em funcionamento a ajuda de custo a estes usurários com o TFD, sem receber nenhum repasse para esta finalidade. Assim como mantivemos apoio financeiro e logístico aos portadores de HIV e pessoas que fazem hemodiálise.

No hospital Santa Marta realizamos o maior número de cirurgias eletivas de nossa região. Além de equiparmos centro cirúrgico (com monitores cardíacos, carro de anestesia, respirador pulmonar, desfibrilador e arcos de luz focal) e central de esterilização (que ainda requer instalações favoráveis da parte elétrica).

Na atenção básica, colocamos médicos e enfermeiros no PSF, semanalmente, na periferia e Zona rural da cidade.

Carlinhos - E como o senhor imagina que é avaliação da população ao seu trabalho como prefeito?

Dr. Raimundinho - Procurei servir às pessoas. Coloquei profissionais médicos que suprissem às necessidades básicas da população, mas mesmo assim, alguns não entenderam que eu precisava ter um tempo para administrar. Visitar um bairro, um povoado e até mesmo na sede foi muito difícil, uma vez que as pessoas me procuravam para atender como medico.  Isto atrapalhou muito. Atendendo todos, não tive tempo suficiente para administrar como queria.

O tempo para fazer o que eu queria fazer foi muito pequeno.

Mesmo assim, construir a Prefeitura que nunca havia sido construída. Revitalizei a praça do mercado; modernizei o mercado. Reformei o Centro de Saúde. Construí o Posto de Saúde do Palmeiral e Coroatá, logo no início da administração e com recursos próprios.

A vontade de fazer foi tão grande no início, que tivemos problemas com alguns compromissos. Com a crise financeira nacional, as coisas pioraram. Procurei agradar o maior número de famílias com empregos.

Numa cidade, onde não há empresas ou indústrias que deem emprego aos jovens, fica inviável administrar apenas com repasses federais.

Aponto meus erros nesta área. Aonde procurei ser bom, vejo que a população não entendeu atrasos em pagamentos nos meses, quando os repasses não davam para pagar todos e fizemos esta arquitetura financeira para pagar atrasados, quando melhoravam os repasses.

Carlinhos – Tem algo a dizer sobre suas pretensões políticas eleitorais no futuro, 2018, 2020...Almeja regressar ao cargo de prefeito ou outro cargo eletivo?

Dr. Raimundinho - Neste momento, meu foco é concluir a administração e entregar minha prestação de contas. Não tive tempo ainda para pensar neste campo minado. Como falei inicialmente, fazer política com dignidade e pensando no coletivo; administrei trabalhando, tenho o povo como testemunha. Não concordo com a política de agressões verbais. Quem sabe, Deus colocará meios de ajudar ainda mais meus conterrâneos. Isso só o futuro mostrará e a Deus pertence.

Apenas o meu amor e dedicação a minha terra. Aos meus conterrâneos. Respeito a decisão do povo e sempre estarei à disposição como medico e amigo.

Carlinhos - Gostaria deixar uma mensagem para o povo esperantinopense, servidores, aliados, admiradores, uma palavra de força e esperança.


Dr. Raimundinho - Apenas o meu amor e dedicação a minha terra. Aos meus conterrâneos. Respeito à decisão do povo e sempre estarei à disposição como medico e amigo.
Já em 2017 com a família: Dr. Raimundinho, esposa Irene Arruda,
e as filhas Hamira e Sara Milena