Ribamar durante a live com seu advogado Bento Vieira.

Após dias desaparecido, o  vaqueiro José de Ribamar, de 25 anos, reapareceu com vida em Bacabal na madrugada desta segunda-feira (8). Nos últimos dias, familiares apareceram na imprensa informando que seu sumiço tinha relação com o assassinato do empresário Marcos Marcondes, muitos chegaram até mesmo a suspeitar que o jovem estivesse morto. 

Porém, ao reaparecer, Ribamar aceitou participar de uma live no facebook com seu advogado, Dr. Bento Vieira, esclarecendo o que aconteceu, enquanto estava desaparecido. O relato apavorante do vaqueiro traz uma série de detalhes reveladores, inclusive o testemunho da morte do empresário Marcos. Ele também afirmou que continuava sendo perseguido por policiais mesmo com a prisão dos cinco suspeitos.

Relato de Ribamar, clique neste link:  https://m.facebook.com/bento.vieira.980?lst=1558387276%3A100021753345299%3A1612788370

O caso teve início na manhã da última segunda-feira (1), quando ele foi trabalhar na fazenda de propriedade de um parente do policial Gilberto Custódio. No local, o PM havia tido uma breve conversa com o sogro e, logo após, Ribamar foi convidado por Custódio a entrar num carro para ir ao Povoado São Sebastião, sob o pretexto de "buscar sementes". Porém, no caminho eles acabaram entrando numa rua sem saída, e logo ouviu as seguintes palavras de Custódio:

"Riba, aqui não tem esse negócio de semente não, aqui é sobre os carneiros, que eu já puxei tua ficha todinha e sei com quem tu trabalhava. Tu trabalhava com Marquinhos e sei que tu roubou esses carneiros e vendeu para ele", disse o PM

Ribamar negou a acusação, apontando o fato de que passou o dia inteiro tentando encontrar os carneiros junto com os policiais e que, portanto, não podia ser apontado como o ladrão. Porém, os policiais não aceitaram suas palavras e, de acordo com Riba, o Tenente Pinho iniciou uma série de agressões, chegando a amarrá-lo e iniciado tortura com asfixia, socos e chutes. 

Policiais presos suspeitos de envolvimento nos crimes

Após desmaiar, Riba foi jogado no porta-malas do carro e os policiais foram ao estabelecimento de Marcos. Assim que chegaram, eles não deram nenhum explicação e simplesmente forçaram o empresário a entrar no veículo. 

O jovem estava acompanhado do pai durante a entrevista


Dentro do veículo, Marcos foi agredido com enforcamento e socos pelos policiais, sofrendo ameaças para dizer, onde estavam os carneiros, sem que a vítima conseguisse dar uma resposta. Assim que chegaram numa estrada deserta, Marquinhos foi amarrado e sofreu várias torturas. "Foi perto de uma poça de água, lá eles começaram a jogar água na cara dele e bateram. Um dos policiais pediu para os outros pularem com os dois pés em cima do peito dele. Asfixiavam botando pressão para Marquinhos falar, mas nem davam chance dele responder. Molharam uma camisa, enrolaram e ficaram batendo com muita força na cara dele, e foi nesse momento que Marquinhos parou de respirar", disse Riba.

Após a morte do empresário, os policiais foram para o Povoado São Sebastião e, após despistar a esposa de Marcos, que chegou de moto na estrada perguntando pelo marido, eles armaram um cenário de tiroteio. Para isso, o Tenente Pinho pediu para um dos colegas atirarem em sua perna, em seguida, deu um disparo no corpo de Marquinhos, que naquela altura já havia falecido por conta das agressões. 

Logo depois, os policiais teriam dito abertamente para Riba que ele precisava morrer, pois era "a única prova"No momento da tentativa de execução, Custódio pediu para Ribamar se ajoelhar e apontou a arma em direção a sua cabeça afirmando que "aqui não tem esse negócio de Deus, não tem esse negócio de filho e não tem esse negócio de família não, tu tem que morrer!", palavras ditas em resposta ao jovem que implorava para ficar vivo.

"Por sorte, quando ele apertou o dedo no gatilho, a arma não disparou, foi nesse momento que criei muita força para correr o máximo que eu podia naquela hora", disse Ribamar. 

Na fuga, os outros policiais deram aproximadamente 10 tiros enquanto Riba escapava, sem acertar nenhum disparo. E assim, o jovem passou dias escondido na mata, afirmando que não podia aparecer em nenhum lugar, pois havia policiais fazendo barreiras nas estradas para matá-lo. Inclusive na última terça (2) e quarta (3) PMs chegaram a persegui-lo, porém, Riba conseguiu se esconder em todas as ocasiões. O jovem reapareceu somente na madrugada de domingo para esta segunda (8) na casa de uma irmã.   

Riba negou que Marquinhos tenha culpa em qualquer crime que seja, afirmando que o antigo patrão era na verdade um homem honesto e trabalhador. Além disso, ele afirmou que é inocente e que chegou a trabalhar em várias fazendas, sem nunca ter o nome sujo por nenhum caso de roubo. Veja o relato completo abaixo:    



Reportagem da TV Difusora - Bacabal - MA

Com informações da TV Difusora de Bacabal