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 G1 - Roraima 

Vídeo mostra momento que deputado Jalser Renier é conduzido algemado


O deputado estadual Jalser Renier (Solidariedade) foi preso nessa sexta-feira (1º) no escritório dele, no bairro Canarinho, zona Norte de Boa Vista, capital de Roraima. O parlamentar é investigado por suspeita de ser mandante do sequestro do blogueiro e radialista Romano dos Anjos.

O mandado de prisão preventiva contra Jalser foi expedido pela juíza convocada Graciete Sotto Mayor Ribeiro, relatora do processo. Além dele, também foram presos três policiais militares -- sendo dois coronéis -- suspeitos do crime (veja abaixo quem são).

Procurada, a assessoria do parlamentar informou em nota que "considera essa uma decisão política que tem como pano de fundo a tentativa de manipulação da opinião pública em plena véspera do julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre a legalidade da mesa diretora da Assembleia Legislativa de Roraima" (leia a nota na íntegra abaixo).

 


A ordem foi cumprida pelo promotor de Justiça Isaías Montanari Junior e pelo delegado da Polícia Civil, João Evangelista, durante a Operação Pulitzer II. A ação foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Quando o Gaeco chegou no escritório, por volta das 14h, o parlamentar não estava no local. Jalser Renier chegou pouco depois e o mandado contra ele foi cumprido. A casa da mãe do parlamentar fica do lado do escritório. Também foi cumprido mandado de busca e apreensão e outros três de prisão preventiva nesta fase da operação.

Os agentes ficaram no local por cerca de três horas e houve uma intensa movimentação de viaturas da PM e Civil. Do lado de fora, foram ouvidos gritos exaltados do parlamentar falando que “isso é um abuso”.

A prisão de Jalser Renier deve ser analisada pela Assembleia Legislativa de Roraima (Ale-RR) já que, como parlamentar, ele possui imunidade parlamentar.

Mais prisões

Nesta fase da operação Pulitzer também foram presos dois coronéis da PM: Natanael Felipe de Oliveira Júnior e Moisés Granjeiro de Carvalho; e o sargento da PM Bruno Inforzato Oliveira Gomes. O g1 tenta contato com a defesa dos militares.

Em nota, a Ale-RR informou que, até às 16h40, não havia sido "notificada pelo Judiciário sobre a prisão do deputado Jalser Renier" e que "mesmo assim, foi convocada uma reunião extraordinária da Mesa Diretora, às 17h."


Durante a ação, as ruas no entorno do escritório do deputado foram fechadas. Participaram agentes do Gaeco, órgão do Ministério Público de Roraima, da Polícia Militar e Polícia Civil.

Por volta das 15h30, um homem que se identificou como "'tio do Jalser" chegou no local e, antes de ele entrar no escritório, houve uma rápida confusão com a imprensa porque ele não queria ser filmado.

No escritório foram apreendidos um computador e um celular. O parlamentar deixou o local por volta das 17 horas em uma viatura do Batalhão de Operações Especiais (Bope).


Em setembro, seis policiais militares entre eles, um coronel aposentado e um major, e um ex-servidor da Ale-RR foram presos na operação Pulitzer. A maioria dos militares investigados trabalhavam para o deputado Jalser que, na época do sequestro, era presidente da Assembleia Legislativa de Roraima.

Sequestro e espancamento

Romano dos Anjos foi sequestrado de casa na noite do dia 26 de outubro do ano passado e localizado vivo, com braço quebrado e lesões nas pernas, na manhã do dia seguinte.


Mandante de sequestro

Jalser Renier foi apontando pelo delegado João Evangelista como mandante do sequestro do jornalista Romano dos Anjos. O crime foi em outubro de 2020, em Boa Vista.

O delegado afirma que "como mandante, a apuração identificou indícios do envolvimento do deputado estadual JALSER RENIER, Presidente da ALE/RR à época dos fatos".

Foi sequestrado pelo trabalho de blogueiro

As apurações preliminares sobre o sequestro e tortura do blogueiro apontaram para provável crime "motivado por vingança ou represália ao modo de atuação jornalística, tendo em vista que a vítima realizou diversos ataques e críticas ao trabalho do então presidente da Assembleia Legislativa, Jalser Renier."


No inquérito, o delegado afirma que Jalser Renier também liderava uma organização criminosa dentro da Assembleia Legislativa, com participação, em grande parte, de policiais militares conhecedores de técnicas policiais e de inteligência policiais. Eles eram lotados na Casa.

Em novembro, cerca de um mês após o sequestro do blogueiro, Jalser Renier ameaçou o governador do estado, Antonio Denarium (PP), para que ele barrasse as investigações, segundo o presidente da Assembleia Legislativa de Roraima, deputado Soldado Sampaio (PCdoB).

O episódio foi confirmado pelo governador. Soldado Sampaio, que à época era chefe da Casa Civil de Denarium, prestou depoimento sobre a ameaça ao MPRR.

Caso Romano dos Anjos


O sequestro do blogueiro Romano dos Anjos, de 40 anos, ocorreu na noite do dia 26 de outubro. Ele foi levado de casa no próprio carro. O veículo foi encontrado pela polícia queimado cerca de uma hora depois.

Ele teve as mãos e pés amarrados com fita e foi encapuzado pelos suspeitos. Romano passou a noite em uma área de pasto e dormiu próximo a uma árvore na região do Bom Intento, zona Rural de Boa Vista. Na manhã do dia 27, ele começou a andar e foi encontrado por um funcionário da Roraima Energia.

O delegado Herbert Amorim, que conversou com o jornalista no trajeto do local onde foi encontrado até o Hospital Geral de Roraima (HGR), disse que depois de ter sido abandonado pelos bandidos, Romano conseguiu tirar a venda dos olhos com o braço e soltar os pés.

No HGR, ele relatou aos médicos ter sido bastante agredido com pedaços de pau.

No dia, a Polícia Civil afirmou, em coletiva à imprensa, que ele poderia ter sido vítima de integrantes de facção. No entanto, a polícia não descartou outras linhas de investigação, como motivação política ou por Romano trabalhar como jornalista de um programa policial.

Quatro dias após o sequestro, o governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), foi até a Polícia Federal pedir que a instituição investigasse o crime, afirmando que o jornalista havia citado ele e um senador no depoimento à Polícia Civil.

No dia 28 de janeiro, a Polícia Federal em Roraima divulgou nota à imprensa. O pedido para instauração de inquérito "foi indeferido, não se verificando elementos que subsidiassem eventual atribuição da Polícia Federal no caso."

O sequestro era investigado pela Polícia Civil numa força-tarefa, que prorrogou o trabalho por ao menos três vezes. O inquérito corre em segredo de Justiça.

Este ano, no dia 16 de setembro, foi deflagrada a operação Pulitzer, onde foram presos os sete investigados e cumpridos 14 ordens de busca e apreensão expedidos pela Justiça.

A maioria dos militares investigados trabalhavam para o deputado Jalser Renier (Solidaridade) que, na época do sequestro, era presidente da Ale-RR, conforme apurou a Rede Amazônica. O parlamentar nega envolvimento.

Nota a prisão

A defesa do deputado estadual Jalser Renier considera essa uma decisão política que tem como pano de fundo a tentativa de manipulação da opinião pública em plena véspera do julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre a legalidade da mesa diretora da Assembleia Legislativa de Roraima. Jalser Renier reitera que segue acreditando na justiça do seu Estado e, sobretudo, na do seu País.


Fonte: G1 - RR

https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2021/10/01/deputado-jalser-renier-e-preso-em-boa-vista.ghtml

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