segunda-feira, 14 de março de 2016

O MAR MORTO DO LUGAR COMUM


por Eduardo Bezerra 
O problema não é ter babá. A profissão é legal, reconhecida, honrada e importante. Não vivemos mais em um país onde as mulheres devem ficar em casa pra lamber as crias e esperar os maridos com jantar feito e pernas abertas.

Não se trata de certas atitudes feitas contra negros e/ou pobres. Independente da foto-símbolo dos protestos de ontem, o racismo não tem cor. Negros produzem racismo contra outros negros.

Trata-se da relação que nós, não apenas brasileiros mas os latinos, mantemos com o trabalho doméstico. E isto sim, é visível no casal de ontem e na foto do Lázaro Ramos. É uma questão de posição social e o simbólico destas relações.

As manifestações mais claras disso são a configuração dos uniformes, os elevadores de serviço e os quartinhos de empregada, pra citar alguns.
Continua...

Os uniformes de passeio das babás são mais um crachá de diferenciação dos patrões que outra coisa. Não possuem função de biossegurança, não serve para caracterizar setores dentro de uma grande empresa. Simplesmente servem para apontar a diferenciação por extrato social onde nossa sociedade foi fundada.

Uma prova interessante disso foi dada uns meses atrás quando a apresentadora Fernanda Lima postou uma foto das babás de seus filhos dizendo que na casa dela não tinha esse negócio de babá de branco. Não foi preciso muito tempo pra aparecer fotos dela, das crianças e das babás com o famoso uniforme branco... na praia. Vê só! Um calor fela-da-gaita, todo mundo de roupa de praia e as babás de moleton, camiseta e tênis. Na areia. No final, funciona assim: olha! Essas são as babás! Não confundam!

Quem precisa confundir alguma coisa, enfim?

Nosso país tem origem colonizada. Viveu três séculos a humilhação de ser colônia de outro país. Sustentar esse outro país com açúcar e ouro. E esse país só nos deu de volta estupradores, ladrões e corruptos. Nascemos disso. Viver aqui era muito duro e precisávamos criar nossa própria aristocracia com nossos próprios ritos. Criamos nossas "famílias reais" com esses sobrenomes que ostentamos quando eles têm algum peso. Eu sou da família tal... E tem que haver o séquito. E no séquito é importante mostrar quem é quem. Sim! E somos o país do "você sabe com quem está falando?"

E isso foi transportado pelas classes sociais e diversas tonalidades de cor da pele. Entre os negros, quando conseguiam sua alforria, o primeiro desejo ao viver na cidade era ter seu próprio escravo.

Além disso, há uma outra coisa bem complexa: a ineptude que hoje temos em cuidar de nossos filhos. Pleno domingo, você de folga e não pode cuidar de seus filhos. Tenho um casal de amigos, uma médica e um psicólogo. Dois filhos. Bem crianças ainda. Há uma trabalhadora que cuida da casa e das crianças na ausência deles. A primeira coisa que eles fazem ao chegar em casa é dispensar a babá. Os pais são eles. Final de semana? É com eles!

Mas estamos vivendo a época das cretinices. Não apenas fruto de nosso desconhecimento e falta de cultura, mas de nossa pulsão por aristocracia. Nascemos nisso, precisamos disso. Está em todo lugar. No trabalho, na rua, em casa.

Hoje, conhecer a realidade, procurar saber o porquê das coisas serem do jeito que são é como mergulhar no Mar Morto: missão quase impossível. Fica melhor falar da lâmina d'água, das explicações mais superficiais. E assim nossa crise enquanto nação vai se agravando.

 O MAR MORTO DO LUGAR COMUM (por Eduardo Bezerra)

Por: Brasil247

O homem que aparece na foto-símbolo das manifestações contra o governo neste domingo, tirada em Ipanema, no Rio de Janeiro, é Claudio Pracownik, vice-presidente de finanças do Flamengo e sócio e diretor executivo do Brasil Plural Banco Múltiplo S.A. e das demais empresas financeiras do grupo.

Pracownik também foi vice-presidente da Brasif, empresa que bandou a jornalista Mirian Dutra, então amante do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no exterior (leia mais aqui).

A foto se espalhou nas redes com críticas ao comportamento do casal, que compareceu aos atos acompanhado da babá, que levava seus dois filhos em carrinhos de bebê.

Em um post no Facebook, ele diz que paga seus impostos, não recebeu favores de empreiteiras, ganha seu dinheiro honestamente e que emprega "centenas de pessoas" em seu trabalho mais 4 funcionários em sua casa. "Todos recebem em dia", afirma.

Abaixo, a íntegra de seu post:

"Sí Pasarán!"

"Ganho meu dinheiro honestamente, meus bens estão em meu nome, não recebi presentes de construtoras, pago impostos (não, propinas), emprego centenas de pessoas no meu trabalho e na minha casa mais 04 funcionários. Todos recebem em dia. Todos têm carteira assinada e para todos eu pago seus direitos sociais.

"Não faço mais do que a minha obrigação! Se todos fizessem o mesmo, nosso país poderia estar em uma situação diferente

"A babá da foto, só trabalha aos finais de semana e recebe a mais por isto. Na manifestação ela está usando sua roupa de trabalho e com dignidade ganhando seu dinheiro.

"A profissão dela é regulamentada. Trata-se de uma ótima funcionária de quem, a propósito, gostamos muito.

"Ela é, no entanto, livre para pedir demissão se achar que prefere outra ocupação ou empregador. Não a trato como vítima, nem como se fosse da minha família. Trato-a com o respeito e ofereço a dignidade que qualquer trabalhador faz jus.

"Sinto-me feliz em gerar empregos em um país que, graças a incapacidade de seus governantes, sua classe política e de toda uma cultura baseada na corrupção vive uma de suas piores crises econômicas do século.

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"Triste, só me sinto quando percebo a limitação da minha privacidade em detrimento de um pensamento mesquinho, limitado, parcial cujo único objetivo é servir de factoide diversionista da fática e intolerável situação que vivemos.

"Para estas pessoas que julgam outras que sequer conhecem com base em um fotografia distante, entrego apenas a minha esperança que um novo país, traga uma nova visão para a nossa gente. Uma visão sem preconceitos, sem extremismos e unitária.


"O ódio? A revolta? Estas, deixo para eles."

8 comentários:

  1. A babá em questão é uma empregada contratada em regime diferenciado, para trabalhar exclusivamente aos fins de semana. E recebe a mais por isso, exatamente como mandam as leis trabalhistas.

    Nos dizeres de Pracownick: “Trata-se de uma ótima funcionária […]. Não a trato como vítima, nem como se fosse da minha família. Trato-a com o respeito e ofereço a dignidade que qualquer trabalhador faz jus”.

    Sinto dizer, mas Debret não tem nada a ver com isso. E preconceituoso é quem julgou o casal a partir uma imagem.

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  2. o carlinhos é mais um retardado que quer tirar o foco das mazelas que estamos a mercer. fica pondo uma trabalhadora humilde como si fosse vitima... vocês perguntaram si ela estava lá obrigada?
    para de ser hipocrita, lembre-se do que o povo passa dia a dia e não tem nenhum trabalho pra poder comprar o pão...sorte essa senhora que ganha mais e trabalha menos

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  3. meu povo essa imagem ela fala por se só, representa o que a elite brasileira, que é a minoria, fazia no brasil colonial com o povo brasileiro.basta você ver a pesquisa data folha do perfil dos manifestantes do domingo, 77% tem curso superior, ganham acima de 20 salários minimos,e a maioria se declararam branco, ou seja, foi uma manifestação dos ricos, por que não aceitam o filho do pobre sentado ao lado de seus filho num banco de faculdade. não aceitam que esse pais mudou pela mãos de um nordestino e não aceitam o povo brasileiro andar de cabeça erguida e com alta estima. essa elite quer voltar a poder pelo golpe, porque pelo voto não voltarão nunca mais.eles querem tratar o trabalhador brasileiro com humilhação como se ver nesta foto, olhar de desprezo pelo pobre.muita gente ta olhando a crise pelos olhos da globo, essa mesma globo que articulou o golpe de 64 contra jango, apoiando os militares, ainda bem que estamos em uma democracia, que a nossa presidente lutou pra você e eu desfrutasse-mos desse momento, ela que foi presa, torturada para o povo brasileiro saisse do jugo da ditadura, e, hoje a elite, minoria, com a midia corporativista tenta derrubar um governo democratico e eleito pelo povo. essa elite estar fazendo uma lavagem cerebral em nosso povo,que consideram como massa de manobras, mas o povo não é bobo, esses ataques ao maior representante do povo brasileiro;LULA,é medo de 2018; os cacique da politica nacional fizeram uma pesquisa e lula ta com 51% de preferencia do povo, esse é o verdadeiro mutivos de ataques a lula, por que se fosse por corrupção teriam que prender Aécio, serra, FHC, alkcmim, cunha e todo congresso e tudo direcionado, existem um complô da elite brasileira pra voltar ao poder de qualquer jeito. MAS O POVO ESTAR ALERTA;

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  4. Ou parceiro do comentário grandão aí de cima!!!,mais que comentárinho mais tendencioso esse seu em.
    Vc esqueceu o outro lado! tipo... Quem acabou com a informação, quem mentiu nas últimas eleições principalmente para os mais pobres etc...

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  5. LULA EM 2016 SERÁ ELEITO O BANDIDO DO ANO, E EM 2018 ESTARÁ NA PAPUDA.

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  6. Esse negócio de divisão de classes é típico de regimes comunistas. Os ladrões do PT que de pobres não tem nada já que a maioria é milionário diferente dos baboes que lhes dão sustentação e vivem de migalhas, jogam essas coisas na internet para tentar esconder a podridão petista que levou o país a essa crise econômica e moral que vivemos hoje.#Lula na cadeia já!

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  7. Quem viveu antes dos governos do PT sabe a diferença da qualidade de vida do povo antes e agora.
    O povo não é burro.
    LULA 2018

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  8. essa imagem revolta os petistas... mas não é a camisa do Brasil, nem o simbolo do Flamengo... MAS VER UMA PESSOA TRABALHANDO. para um petista tem valor os vagabundos da CUT, do MST que nao trabalham... viviem de manisfestações pagas pelo pt

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