terça-feira, 29 de novembro de 2016

Um poema para homenagear as vítimas



O grande desastre aéreo de ontem


Vejo sangue no ar, vejo o piloto que levava uma flor para a noiva, abraçado com a hélice. E o violinista em que a morte acentuou a palidez, despenhar-se com sua cabeleira negra e seu estradivárius. Há mãos e pernas de dançarinas arremessadas na explosão. Corpos irreconhecíveis identificados pelo Grande Reconhecedor. Vejo sangue no ar, vejo chuva de sangue caindo nas nuvens batizadas pelo sangue dos poetas mártires. Vejo a nadadora belíssima, no seu último salto de banhista, mais rápida porque vem sem vida. Vejo três meninas caindo rápidas, enfunadas, como se dançassem ainda. E vejo a louca abraçada ao ramalhete de rosas que ela pensou ser o paraquedas, e a prima-dona com a longa cauda de lantejoulas riscando o céu como um cometa. E o sino que ia para uma capela do oeste, vir dobrando finados pelos pobres mortos. Presumo que a moça adormecida na cabine ainda vem dormindo, tão tranqüila e cega! Ó amigos, o paralítico vem com extrema rapidez, vem como uma estrela cadente, vem com as pernas do vento. Chove sangue sobre as nuvens de Deus. E há poetas míopes que pensam que é o arrebol.


Jorge de Lima, Poesia completa

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7 comentários:

  1. Que coisa horrível e sem sentido! Muito desconexo. Péssimo gosto!

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    1. Essa poesia tem cerca de 70 anos. Tem uma linguagem poética belíssima, muito subjuntivasubjuntivo, claro que não é pra qualquer um o entendimento.

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    2. Ķkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  2. Concordo com vc,isso nem pode se chamar de poesia,uma cosa se pé e sem cabeça..

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  3. Concordo com vc,isso nem pode ser chamado de poesia...uma coisa sem pé e sem cabeça

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  4. kkkkkkkkkk..nem Carlinhos entendeu oq escreveu..

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