Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que o presidente Jair Bolsonaro usa palavras de baixo calão para se referir ao ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), durante sua passagem por Joinville nesta sexta-feira (6). “Aquele *** do Barroso”, diz o presidente. 

As imagens foram gravadas no momento em que o presidente da República chegava ao Comando do Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville (CBVJ), onde recebeu a Ordem da Machadinha – comenda máxima do Corpo de Bombeiros em Santa Catarina. Vários apoiadores estavam reunidos em frente ao prédio, que fica na Rua Jaguaruna. No vídeo, não é possível identificar com quem Bolsonaro falava no momento em que xingou o ministro.

O episódio, que retrata mais uma vez o desrespeito do presidente ao decoro e à liturgia do cargo, ocorre em meio à crise que o presidente da República criou com a Justiça Eleitoral, ao questionar - sem provas - a lisura do voto eletrônico. Ao longo das últimas semanas, Bolsonaro subiu o tom e passou a atacar pessoalmente o presidente do TSE.

Os ataques levaram a reações na alta corte. Na segunda-feira (2), o TSE abriu um inquérito administrativo sobre as ameaças do presidente às eleições de 2022, e aprovou investigação contra Bolsonaro no STF, por disseminação de fake news.

Nesta quinta, também em resposta ao presidente da República, o ministro Luiz Fux, presidente do STF, cancelou uma reunião previamente agendada entre os chefes dos poderes - um gesto que indica que limites foram ultrapassados. Pela primeira vez, Fux citou Bolsonaro nominalmente:

"O presidente da República tem reiterado ofensas e ataques de inverdades a integrantes desta Corte, em especial os ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. Sendo certo que, quando se atinge um dos integrantes, se atinge a Corte por inteiro. Além disso, sua excelência mantém a divulgação de interpretações equivocadas de decisões do plenário bem como insiste em colocar sob suspeição a higidez do processo eleitoral brasileiro".

Os ataques de Bolsonaro aos poderes e à democracia coincidem com a perda de popularidade nas pesquisas e com as denúncias de negligência e suspeitas de corrupção na compra de vacinas, que são investigadas pela CPI da Covid.

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